BREXIT

Tendo estado fora do país em Summer School, deixei o tempo desenrolar o novelo “duro” e “inquebrável” chamado União Europeia.

União Europeia. Breve história, crescimento e evolução.

A União Europeia (doravante UE) é uma união económica e política, constituída por 28 países europeus. Criada após a 2ª Grande Guerra Mundial, teve como principal “goal” o incentivo à cooperação económica e social, eliminando as barreiras do comércio, a união dos diferentes povos europeus e uma paz duradoura. Estas foram alguns dos pilares definidos no Tratado de Roma em 1957. Inicialmente, a Comunidade Económica começou com 6 países da Europa Ocidental, sendo que o Reino Unido não era um país integrante, tendo integrado a EFTA, igualmente como Portugal. O tempo passou, outras designações foram dadas, a economia cresceu e a hoje chamada UE conta com 28 países. Sendo a UE sinónimo de paz, prosperidade e estabilidade, chegou mesmo em 2012 a vencer o Prémio Nobel da Paz. Hoje, graças a todo este processo, as pessoas podem circular livremente em quase todo o continente europeu.

Em 23 de junho do presente ano, após a votação num referendo, no qual se decidia a continuidade, ou não, do Reino Unido (doravante RU) na UE, contabilizou-se uma votação positiva ao BREXIT com, aproximadamente, 52% de votos.

Num processo de globalização em que estamos hoje presentes, onde os foros económico, social e político entraram num processo de criação de pontos em comum, o BREXIT constitui um flagelo ao crescimento e prosperidade económica.

Pós-BREXIT

Nos termos do artigo 50º do Tratado de Lisboa, qualquer Estado-Membro da UE tem a liberdade para sair do agregado económico. Hoje, o RU constitui o primeiro estado membro a abandonar a UE. O BREXIT venceu e, embora os principais resultados sejam difíceis de perspectivar, os principais sinais deste flagelo denotam-se a olho nu! As consequências negativas fazem-se e far-se-ão notar em “casa”, no RU e na “rua”, no mundo. O RU constitui a segunda maior potência europeia e a quarta maior a nível mundial, o que significa que as consequências serão em grande escala a nível mundial.

Efeitos/consequências

Respetivamente ao mercado interno, não sairá beneficiado. Atualmente, no contexto europeu, existem exemplos que se baseiam em acordos de acesso, sendo estes a Suíça e a Noruega. No entanto, o RU teria de contribuir com uma quantia superior à que hoje contribui para o conjunto europeu. De frisar que seria completamente impossível o RU usufruir dos mesmos benefícios com menos obrigações do que os outros Estados- Membros, pois isto serviria de convite à saída dos restantes, visto que existiriam maiores benefícios em se manterem fora da UE do que dentro.


Ótica política

Do ponto de vista político, tal como sucede com países como a Suíça e a Noruega, o RU deixará de ter voz no que toca a matérias de decisão da UE. Além de todos os custos acrescidos que terá, ainda perderá espaço de intervenção no campo de decisão final.

Bolsa

Importa referir que no dia do referendo a libra atingira o valor mais alto do presente ano e, decorrido o dia, após os resultados terem sido tornados públicos, a libra atingiu os valores mais baixos desde 1985, ou seja, houve um retrocesso de mais de 30 anos!
Produto Interno Bruto (PIB)
Nesta matéria, perspectivava-se uma descida nas expectativas quanto à taxa de crescimento do PIB.
O BREXIT venceu e fez-se jus ao anteriormente referido: a agência Moody’s baixou as perspetivas de taxas de crescimento, sendo a redução de 0,2%, de 1,7% para 1,5% e em 2017 de 1,6% para 1,3% na Europa. No RU, o abatimento é muito maior e, se bem que em 2016 o decréscimo, em termos percentuais, é relativamente o mesmo, em 2017 ocorrerá uma quebra de quase 1 ponto percentual, consequência provável da incerteza que se instalou nos mercados, entre investidores, e na quebra de confiança por parte dos consumidores. Por outro lado, estando perspetivado que a notação de rating do RU iria baixar, o que ocorreu, apesar de o rating atribuído ser AA e permanecer no quadro de “Investment Grade”, o risco de crédito aumentou. A incerteza que se instalou será uma razão evidente que levará ao decréscimo do PIB europeu.


Um ou todos?

Outro ponto que é alvo de debate é a continuidade do RU como um todo ou a sua fragmentação. Perspetivo que a Escócia possa querer a independência de forma a conseguir continuar na UE. Possivelmente, poderá seguir-se a Irlanda do Norte e/ou o País de Gales. Uma coisa é certa, dentro do RU há uma divisão de opiniões e dentro de cada um dos países há o pedido de um novo referendo. Vamos ver ao que nos leva esta divisão de opiniões e quereres.


União Europeia ou ex-União Europeia?

Hoje falamos em UE, mas muitos são aqueles que acreditam que a UE se dissolva e retroceda até ao momento em que a Europa era um conjunto de “fragmentos”.
Penso que não. Acredito que depois de todos os custos que o BREXIT trará, não só para o próprio país, como para a UE, poderá ser desencadeado um processo de maior união e fortificação dos laços económicos, políticos e sociais.
Colocando todos os factores nos pratos de uma balança, a melhor solução e o melhor resultado para todos, saído do referendo, tem apenas um nome, BREMAIN!

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