Minério de Lítio

Empresa australiana gigante do lítio em Portugal

A Fortescue, quarta maior produtora mundial de ferro, fez pedidos de prospecção e exploração de 22 áreas em solo português, correspondente a todas as zonas identificadas como ideais para a exploração de lítio, vital principalmente para o fabrico de baterias, por exemplo.

Fundada em Perth, na Austrália, no ano de 2003, a Fortescue é ainda uma empresa relativamente recente no sector mineiro, mas é já uma gigante mundial da mineração, principalmente no que toca à extracção e exploração de ferro. Esta empresa não só é a quarta maior produtora global de minério de ferro, como conta também com uma operação integrada dos vários sectores anexos: exploração, mineração e transporte, das quais fazem parte a ferrovia mais rápida do mundo para cargas pesadas e um enorme porto intercontinental de cinco ancoradouros. Toda essa operação ocorre no outro lado do planeta, da Austrália até à China, mas isso está prestes a mudar e este pequeno país à beira-mar plantado, irá tornar-se num ponto de referência de uma das industrias mais cobiçadas e procuradas da actualidade

O Diário da República publicou vários avisos ao longo das últimas semanas, informando que a Fortescue Metals Group Exploration requereu a atribuição “de direitos de prospecção e pesquisa de depósitos minerais de ouro, prata, chumbo, zinco, cobre, lítio, tungsténio, estanho e outros depósitos minerais ferrosos e minerais metálicos associados” em várias áreas do país, com particular incisão no Norte e Centro de Portugal. Os anúncios visam várias áreas denominadas como “Cruto” (99,1 km2, localizados no concelhos de Braga, Barcelos e Vila Verde), “Fojo” (74,7 km2, nos concelhos de Melgaço, Monção e Arcos de Valdevez), “Viso” (133,3 km2, em Vieira do Minho, Montalegre, Cabeceiras de Bastos, Fafe); “Calvo” (375,2 km2, nos concelhos de Almeida, Pinhel e Figueira de Castelo Rodrigo), “Crespo” (189,6 km2, em Idanha-a-Nova) e “Nave” (308,5 km2, nos concelhos de Guarda, Almeida e Sabugal).

Somando todas as áreas, são já mais mais de 1100 km2 de terreno a pesquisar, todos eles em áreas que foram identificadas como possuindo elevado potencial na exploração nacional de lítio, estando a autorização para pesquisa e exploração pendente de concurso público internacional. De acordo com as informações existentes, a área que onde os australianos da Fortescue deverão realizar prospecção e pesquisa será muito mais vasta do que a que consta nestes seis pedidos. A Direcção-Geral de Energia e Geologia recebeu já 22 pedidos de autorização, que deverão ser aprovados e publicados faseadamente. De referir que o grupo de trabalho governamental para estratégia nacional para o lítio ainda não existia, mas o Governo já tinha mais de 30 pedidos de prospecção para as áreas identificadas, o que revela um enorme interesse global e perspectivas económicas para o nosso país.

A estratégia avançada pela Fortescue é óbvia e, quando for lançado o concurso público internacional, a Fortescue vai entrar na corrida com as novas candidaturas mais as 22 que já possui. O Governo afirmou recentemente ter elaborado um concurso de forma a atrair os grandes interessados do sector ainda nesta legislatura. Antes destas afirmações, já a Fortescue andava no terreno a reunir com os autarcas e a solicitar autorizações de prospecção e pesquisa, o que revela claramente um desejo de demonstrar escala e poder na corrida à exploração de lítio.

O membro do governo, João Galamba, afirmou que nada impede que diferentes operadores possam concessionar as áreas de exploração, mas que propostas de maior escala e, desde logo, maior solidez, seriam valorizadas.

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