A Geringonça

Em 1985, Doc Brown pegou num DeLorean e nele construiu uma qualquer geringonça que conseguiu levar Marty McFly até 1955. Uns anos mais à frente em 1989, essa mesma geringonça levou McFly até 2015. Ano esse que faria Portugal ver criada uma sua própria geringonça. Uma “Geringonça de Esquerda” construida por PS+BE+CDU, magicada lá pelo meio por Pedro Nuno Santos, o nosso jovem Doc Brown.

Muito à semelhança daquilo que o DeLorean fez, esta geringonça também nos conseguiu transportar para o futuro… ou pelo menos fazer-nos desapegar de velhos paradigmas quarentões sobre os partidos de esquerda que já nos acompanham desde o ressurgir da democracia em Portugal.

Da mesma maneira que se fez história com a geringonça americana nos anos 80, fez-se história com a portuguesa de esquerda em 2016. PCP e BE votaram favoravelmente, pela primeira vez, um Orçamento de Estado. Orçamento este, anti austeridade, que foi anunciado pelos Nostradamus de direita como o fim dos tempos em Portugal. O fim da credibilidade portuguesa na Europa, o aumento em flecha das taxas de juros, agências de rating a implodirem de incredulidade com o que o governo português pretendia fazer…

Muito à semelhança de um qualquer vídeo viral no YouTube intitulado “Expectativa VS Realidade”, o resultado inverteu-se. O défice caiu 300 milhões em Janeiro, as taxas de juro caem a todos os  prazos, as agências de rating elogiaram o OE, os sindicatos olham-no com ar de aprovação também… Finalmente está toda a gente de acordo… Pelo que parece, até a própria direita tem dificuldade em opor-se ao OE. O CDS “vê com naturalidade” a avaliação da Moody’s. Duarte Marques vomita algo que faz corar de vergonha qualquer português com dois dedos de testa.

É caso para dizer “Hello, McFly!” e achar que fomos parar a 1955, ao primeiro filme da trilogia de ficção científica.
É caso para dizer que ao que parece, o raio da Geringonça funciona mesmo.

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